fbpx
Verdade ou mentira: resenha do filme francês Nada a esconder, disponível no Netflix

Verdade ou mentira: resenha do filme francês Nada a esconder, disponível no Netflix

Você teria coragem de mostrar o seu celular para sua melhor amiga, para seu irmão, para sua mãe, para seu cônjuge? Muita gente diria que sim publicamente. Mas, no fundo de sua mente, provavelmente a resposta seria não. Abrir as comportas de suas mensagens no Whatsapp, ligações, caixa de mensagem, aplicativos…pode ser assustador.  

É aquela música antiga do Capital Inicial (uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos):

O que você faz quando, ninguém te vê fazendo
Ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver

No filme francês “Nada a esconder”, que é uma adaptação da comédia italiana chamada “Perfetti sconosciuti”, de 2016, sete amigos há mais de trinta anos resolvem jogar um jogo em que todas as mensagens e ligações que recebem devem ser lidas e ouvidas em público. 

O jogo que começa como uma brincadeira inocente se torna uma realidade dura em que mentiras são reveladas, estereótipos são desmascarados e relacionamentos postos à prova. 

O enredo brilhante sob a direção de Fred Cavayé com um elenco francês de peso, incluindo a atriz indicada ao oscar pela atuação em “O Artista”, Berenice Bejó, traz uma comédia mas com uma grande carga de dramaticidade. 

O que me encantou foi o foco do filme: comportamento. E como podemos ter vidas completamente diferentes: a “real” e a virtual, que vive dentro dos nossos smartphones. 

Os sentimentos e as emoções mais íntimas podem estar escondidos sob diversas camadas de nossa postura “social” e relevamos o que queremos conforme o contexto em que estamos inseridos em dado momento. E, às vezes, como no filme, não contamos nem para amigos há mais de trinta anos. 

Talvez porque são amigos há tanto tempo, algumas verdades e realidades sejam ainda mais difíceis de lidar e preferimos nos esconder na realidade virtual, em que quase tudo é permitido com poucas implicações. 

Mas, será mesmo que as redes sociais são assim tão permissivas? E até que ponto viver uma realidade paralela em seu smartphone é realmente uma vida, de fato?

Esses são questionamentos que podem ser levantados após assistir a esse filme. Na verdade, a mentira serve um meio de conforto e proteção, e o virtual serve como uma justificativa para certos comportamentos e determinados tipos de relações. 

O filme demonstra que, por mais incrível que pareça, a verdade é a protagonista da destruição de relações criadas com tanto cuidado e carinho ao longo de anos. Isso porque o medo que o ser humano tem de ser julgado e excluído é aterrorizante e muitos preferem sufocar as verdade a falar abertamente sobre as mesmas. 

A honestidade pode ser dura e a realidade mais fria do que quando pintada pelos filtros das redes sociais. E uma mentira contada mais de 100 vezes pode acabar se tornando verdadeira até mesmo para o mentiroso. 

O enredo traz diversos tipos de omissões: a gravidez da amante, a traição da esposa, a amizade escondida, o excluído do grupo… 

O que você iria preferir: a verdade nua e crua ou a mentira embelezada, a verdade omitida? 

Este vídeo traz uma reflexão interessante, assista:

E então: você é como Thoreau que afirma “Em vez de amor, dinheiro, fé, fama, eqüidade… me dê a verdade” ou é como Sócrates e Maquiavel, que defendem a mentira e a censura do Estado perante seus cidadãos?

Fechar Menu